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Americana tem 35 faltas por dia de professores

Americana tem 35 faltas por dia de professores
Maioria está ligada a atestados ou licenças por motivos de saúde; números poderiam ser maiores se considerados casos onde professores podem faltar


A rede fundamental de ensino municipal de Americana registra diariamente 35 faltas de professores. Dessas, 26 estão relacionadas a atestados médicos ou licenças por motivos de saúde. Esses números poderiam ser ainda maiores caso fossem considerados os casos em que os profissionais têm direito a faltar, os chamados “dias abonados”, e as licenças sem remuneração – que podem chegar até dois anos.
Adicionando essas circunstâncias, o número diário de ausências salta para 48. Os dados foram informados pela Secretaria de Educação a pedido do LIBERAL, e se referem ao primeiro semestre de 2017.
Professora da rede municipal e diretora do Sinpra (Sindicato dos Professores de Americana), Adriana de Abreu disse que, além dos problemas comuns à profissão e que podem afetar a imunidade dos profissionais – relacionados à indisciplina dos alunos e problemas de aprendizagem –, os professores de Americana enfrentam ainda a insegurança gerada pela possibilidade de demissão de probatórios, medida anunciada em função do estado de calamidade das contas públicas.
Foto: Marcelo Rocha / O Liberalhttp://liberal.com.br/wp-content/uploads/2017/08/SALA-2-570x381.jpgOs dados foram informados pela Secretaria de Educação a pedido do LIBERAL, e se referem ao primeiro semestre de 2017
“Trabalhamos com dificuldade porque existe uma falta de professores. Seria necessário abrir concurso e contratar mais. Para piorar, tem a insegurança, pessoal com carta de demissão e que se sente com a corda no pescoço”, justica a profissional.
A secretária de Educação, Juçara Florian, afirma que a taxa de ausência no município está dentro dos parâmetros da Região Metropolitana de Campinas. Contudo, ela avaliou que esses números deveriam ser mais baixos, já que existe uma estrutura organizada no município.
Ela citou incentivos como plano de carreira, direito a seis faltas abonadas por ano e carga horária diferenciada – esta última ocorre, principalmente, na educação infantil. São sete cargas diferentes, parte delas definidas após ações judiciais, o que obriga a pasta a manter professores reservas para preencher o quadro.
A situação é agravada ainda mais com as faltas diárias, de acordo com Juçara. Na educação infantil, o número de ausências chega a 46 por dia, mas os dados enviados pela Secretaria não especificam licença médicas, faltas justificadas ou injustificadas.
“Um dos fatores que mais influencia nos afastamentos está relacionado à saúde mental do profissional. É um trabalho que exige muito. Esse é um problema nacional, relacionado a desestruturação familiar. O profissional acaba assumindo uma sobrecarga que vai além da sua função”, disse Juçara.
‘É sempre mais fácil culpar o professor’
Doutora em Educação pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e pós-doutora em Sociologia do Trabalho pela Universidade de Paris, na França, Aparecida Neri de Souza afirma que fatores sociais influenciam na alta taxa de ausência dos professores, mas que frequentemente os profissionais são culpabilizados pelas faltas.
Ela citou como problemas, por exemplo, excesso de alunos nas salas de aula, carga horária excessiva e metas cada vez mais altas. Para Aparecida, outro fator que tem grande efeito negativo sobre a classe é o fato de que boa parte são mulheres, que acabam sobrecarregadas pelos cuidados com os filhos e a casa.
“Nas pesquisas que faço, já ouvi depoimento de professor que faltou e ficou o dia todo em casa apenas sentado para recuperar a energia, sem forças. Existem pesquisas indicando o mal-estar docente, que é a impossibilidade de sentir que está fazendo um trabalho com sentido. E você continua trabalhando, mas é como se tivesse desistido. Assiste seu trabalho como a um filme, mas não participa dele”, disse Aparecida.
“A via é mais fácil é dizer que as professoras são as culpadas. Ao invés de olhar as condições de trabalho, se olha o indivíduo”.

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